Três em cada quatro visitantes que chegam ao setor chileno do Campo de Gelo Sul da Patagônia (Campos de Hielo Sur) entram pela Argentina, pelo passo Marconi, e o Estado chileno não cobra nada deles: entre 2021 e 2026 a arrecadação foi zero. Os números são da Corporação Nacional Florestal (Conaf), que administra o Parque Nacional Bernardo O'Higgins, e foram divulgados pelo La Prensa Austral em 1º de novembro de 2026. A Conaf contabilizou 44 expedições entre 2016 e 2026, de 16 nacionalidades.
O tema mistura turismo de expedição e uma zona de fronteira sem demarcação: o trecho entre o monte Fitz Roy e o cerro Murallón não tem traçado acordado entre Chile e Argentina desde o Acordo de 1998. Esta nota foca no que interessa ao visitante: quantos vão, por onde entram, o que se cobra e quais regras valem.
Os números da Conaf sobre os visitantes do Campo de Gelo Sul
| Indicador | Dado | Fonte |
|---|---|---|
| Visitantes que entram pela Argentina | 75% (pelo passo Marconi) | Conaf, via La Prensa Austral |
| Expedições registradas 2016-2026 | 44, de 16 nacionalidades | Conaf |
| Argentinos entre os visitantes | 41,9% | Conaf |
| Chilenos entre os visitantes | 25,2% | Conaf |
| Expedições e pessoas em 2024 | 2 expedições, 7 pessoas | Conaf |
| Expedições e pessoas em 2025 | 22 expedições, 65 pessoas | Conaf |
| Arrecadação 2021-2026 | CLP 0 | Conaf |
| Guias credenciados pela Conaf para a rota | 29 | Conaf |
Fonte: relatório da Conaf citado pelo La Prensa Austral (1º de novembro de 2026). O salto de 2025 coincide com o formulário on-line e a presença de Carabineros no refúgio. Os totais do próprio relatório não batem: a soma anual dá 145 pessoas, a por nacionalidade 150 e o resumo 155, e a Conaf reconhece que "não existia um registro consolidado único".
Por onde se entra no Campo de Gelo Sul
75% das expedições entram pelo passo Marconi, a partir de El Chaltén (Argentina); o restante sai de Villa O'Higgins ou de Candelario Mansilla, na região chilena de Aysén. A Direção Nacional de Fronteiras e Limites (Difrol) afirma que Marconi é "o único passo de fronteira habilitado bilateralmente" na área, enquanto a PDI informou não ter registros oficiais de entradas ou saídas por esse passo. O controle é feito pelo posto de Carabineros de Candelario Mansilla.
| Acesso | A partir de | Peso nas expedições | Observação |
|---|---|---|---|
| Passo Marconi | El Chaltén (Argentina) | 75% | O acordo binacional de 2002 exige aviso prévio de 72 horas |
| Villa O'Higgins | Aysén (Chile), fim da Carretera Austral | Parte dos 25% restantes | Exige registro e autorização |
| Candelario Mansilla | Aysén (Chile), margem sul do lago O'Higgins | Parte dos 25% restantes | Posto de Carabineros |
Desde outubro de 2023, a Difrol autorizou 25 grupos e 90 pessoas. Sete dessas expedições (36 pessoas) aconteceram entre agosto e novembro, quando não há Carabineros no refúgio. Pelo lado chileno, é preciso percorrer o final da Carretera Austral, passando por lugares como Caleta Tortel.

Quanto custa uma travessia pelo Campo de Gelo Sul
O Chile não cobra pela entrada, pelo uso nem pelo pernoite no refúgio Eduardo García Soto, instalado em 2004 pelo Instituto Chileno de Campos de Gelo, mas exige registro e autorização prévia. As agências cobram: o El Magallanes revisou nove ofertas comerciais, oito delas saindo do lado argentino, e nenhuma menciona o aviso de 72 horas nem as licenças chilenas. Nas ofertas argentinas, o refúgio aparece como "Gorra Blanca".
| Oferta ou custo | Valor | Fonte |
|---|---|---|
| Travessia de 8 dias e ~100 km (American Alpine Institute) | US$3.950 por pessoa, grupos de 2 ou mais | La Prensa Austral |
| Outra travessia publicada | US$3.200 | La Prensa Austral |
| Noite no refúgio cotada numa agência de El Chaltén | US$150 | Pablo Longueira, via La Prensa Austral |
| Tarifa da Conaf para entrada ou pernoite | Sem tarifa | Conaf |
O ex-ministro Pablo Longueira escreveu no El Mercurio, em 21 de setembro, que "os argentinos vendem nosso refúgio". Desde 2025, a Conaf avisa aos grupos que o refúgio está ocupado por Carabineros e guarda-parques e que devem levar barraca. Entre 2017 e 2021, o programa Paso Marconi investiu 685 milhões de pesos do fundo regional de Aysén em domos, cursos para guias e kits sanitários.

O que saber antes de visitar o Campo de Gelo Sul
- É uma expedição de alta montanha, não uma caminhada: atravessa-se o gelo por dias com equipamento técnico e guia.
- Registro e autorização prévia são obrigatórios, mesmo sem cobrança, e o passo Marconi exige aviso de 72 horas.
- A alta temporada começa em dezembro. Entre agosto e novembro não há Carabineros no refúgio.
- Leve barraca: o refúgio pode estar ocupado por pessoal do Estado.
- Prefira guias credenciados pela Conaf para a rota (são 29).
O Campo de Gelo Sul alimenta várias das maiores geleiras do Chile, como a Pío XI, e faz parte do Parque Nacional Bernardo O'Higgins, um dos maiores parques nacionais do país.
Perguntas frequentes
Quanto custa entrar no Campo de Gelo Sul pelo Chile?
Nada. A Conaf não cobra entrada, uso nem pernoite no refúgio, mas exige registro e autorização prévia.
Por onde os visitantes entram no Campo de Gelo Sul?
75% entram pelo passo Marconi, a partir de El Chaltén (Argentina); o restante sai de Villa O'Higgins ou Candelario Mansilla, em Aysén.
Quantas pessoas visitam o Campo de Gelo Sul?
Poucas: a Conaf registrou 22 expedições e 65 pessoas em 2025, e 44 expedições entre 2016 e 2026.
Qual parque nacional protege o Campo de Gelo Sul?
O Parque Nacional Bernardo O'Higgins, administrado pela Conaf, nas regiões de Aysén e Magalhães.



